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A Terceira Reforma

Hoje nos encontramos em meio à uma terceira Reforma da igreja cristã. A primeira Reforma aconteceu no século XVI, com Martinho Lutero , Calvino e outros. Esses irmãos redescobriram a essência da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo: a salvação mediante a fé, pela graça de Deus. Uma reforma, portanto, eminentemente teológica.

A segunda Reforma ocorreu no início do século XVIII, por influência do movimento Pietista. Os adeptos do movimento Pietista redescobriram a bênção do relacionamento pessoal, da intimidade com Cristo pela fé. Isto ocasionou a reforma da espiritualidade, a volta da busca pessoal ao Deus amoroso, e da leitura devocional da Bíblia. Esta segunda reforma impulsionou um movimento missionário muito forte nos anos seguintes.

A Reforma de Lutero e Calvino reportou-se ao conteúdo do Evangelho, à essência da mensagem cristã, mas não modificou a forma de organização da igreja nem a estrutura básica dos cultos a Deus. O vinho novo do Evangelho continuou sendo colocado no odre velho do catolicismo, que por sua vez espelha-se no Judaísmo, com seus templos, sacerdotes (ou ministros) exclusivos e rituais solenes e altamente formais. A divisão dos cristãos em duas categorias ou “castas” – o clero e os leigos – continuou intacta, mesmo depois da primeira Reforma. Os leigos continuaram expectadores passivos nos cultos, enquanto uma meia dúzia de ministros atuavam para eles. O Sacerdócio Universal de Todos os Crentes, doutrina proclamada e defendida pelos primeiros reformistas, não conseguiu vencer a teoria. Na prática, continuou-se a vivenciar “o sacerdócio de alguns crentes”.

A segunda Reforma, promovida pelo Pietismo, embora tenha restaurado a benção do relacionamento pessoal do cristão com o seu Senhor, também não promoveu mudança na forma nem na estrutura da igreja: o odre velho continuava a ser usado para veicular o vinho novo.

A Terceira Reforma, a qual vivemos hoje, é a restauração da forma e da estrutura primitiva da igreja. Milhões de cristãos no mundo todo estão abandonando as igrejas formais e institucionais, e passando a se reunir como a igreja primitiva, nos lares, de forma orgânica e participativa, sem ministros ordenados, nem templos, nem dia sagrado, nem dinheiro para sustentá-los. Trata-se de um novo (porém antigo) enfoque global da igreja, cujo modelo é baseado no Novo Testamento e não no Velho Testamento.

Esta terceira reforma está trazendo às pessoas, de novo, a participação ativa nos cultos. O sacerdócio é de todos os crentes. Todos ministram com seus dons e talentos durante as reuniões das igrejas nos lares. Todos edificam e todos são edificados. Todos falam e ouvem. Todos oram, todos escolhem e ministram as canções. Todos batizam os novos convertidos. Todos ceiam a ceia do Senhor – comida farta, pão e vinho. Os homens mais velhos e mais maduros espiritualmente – os presbíteros – lideram essas igrejas e cuidam para que não surjam heresias no povo de Deus. Tudo é feito com ordem e decência. Fora das reuniões, uns pastoreiam outros, cuidando uns dos outros, provendo as necessidades do corpo de Cristo.

Também esta terceira reforma permitiu a volta de um tipo de igreja incomparavelmente menos dispendiosa financeiramente do que a igreja de pastores. Sem ministros profissionais, nem edifícios para manter, nem funcionários, as igrejas nos lares proliferam aos montes nas ruas das cidades e povoados do mundo, quase que sem a necessidade de arrecadar dinheiro. Elas não estão ligadas à denominações ou macro-corporações. São simplesmente igrejas, ligadas diretamente ao Senhor e interdependentes, por amor a ele. Já não se sabe hoje quantas existem. Ninguém as controla, a não ser o Senhor.

A Terceira Reforma é a reforma da forma da igreja. A igreja com a teologia reformada, com o relacionamento pessoal com Cristo reformado, e com esta nova (e ao mesmo tempo primitiva) forma e modelo, vai crescer muitíssimo, como a igreja do primeiro século. E provavelmente vai cair nas graças do povo, à medida em que o Senhor acrescenta dia-a-dia os que serão salvos, até que Ele volte fisicamente.