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Encolher para Crescer

Outro dia, ao me ouvir falar sobre as igrejas nos lares de hoje, as quais se inspiram na igreja primitiva, um irmão me disse que a igreja primitiva também tinha defeitos. O que aquele irmão estava querendo dizer, de fato, é que eu não deveria me empolgar com o modelo da igreja primitiva por que ela não era perfeita. Respondi a ele que, apesar de não ser perfeita, porque humana, a igreja primitiva era A MELHOR. Aquele modelo jamais foi superado por nenhum outro na História, em termos de qualidade e quantidade. A igreja primitiva era melhor na fé, no estilo de liderança, na comunhão, na prática do amor, na geração e na nutrição de novos discípulos, e na força do seu testemunho para a sociedade. Aquele irmão, que é bom conhecedor do Novo Testamento, calou-se, sem argumentos.

As igrejas cristãs institucionais (aquelas que se reúnem em templos, somente aos domingos, e que possuem ministros profissionais) são, em sua maioria, grandes demais para proporcionarem ambiente para uma efetiva comunhão. As igrejas mencionadas no Novo Testamento eram invariavelmente grupos pequenos, com cerca de 15 a 20 pessoas. O crescimento da igreja primitiva não era um “inchaço” aditivo. Nenhum agrupamento de crentes único crescia de 20 para 100, 200, 500, 1.0000, 3.000, ou até 5.000 membros, sem se dividir, como as mega-igrejas de hoje. O que se vê na presente realidade, é que uma igreja quando incha e se torna uma mega-igreja (com mais de mil membros) tende a estacionar em termos de crescimento. As mega-igrejas com mais de três mil membros são exceções, que chegaram a esse número muito mais pela dependência do grande carisma de um líder do que pela qualidade do modelo. O normal é que as mega-igrejas começem a perder muitos membros quando atingem o número de mil. Continuam a receber novos membros, mas perdem praticamente o mesmo número pela “porta dos fundos”, ou seja, muitos saem dessas igrejas para deixarem de se congregar ou para se congregarem em outras igrejas, onde haja mais comunhão e oportunidade para participação ativa.

As igrejas nos lares do primeiro século se multiplicavam organicamente, isto é, como se multiplicam os organismos vivos. Num organismo vivo, suas células se dividem e o organismo como um todo, cresce e se renova. Quando uma igreja no lar do primeiro século passava do limite de 20 pessoas, ela se subdividia em duas (até mesmo em função do tamanho das casas no primeiro século). Esse crescimento orgânico, multiplicativo, fazia com que todos os cristãos de uma cidade se reunissem para uma grande celebração, em lugares públicos, como por exemplo, os pátios e terraços do templo de Jerusalém (lembre-se de que no interior daquele templo só podiam entrar os sacerdotes e levitas judeus). A igreja da cidade dava um importante testemunho de união, para a sociedade. Bem diferente das desunidas denominações e igrejas templárias de hoje.

Uma igreja no lar, no Brasil, sendo realista (sendo até pessimista), se multiplica naturalmente a cada três anos. Outro fato é que, nas igrejas nos lares, quase não há pessoas saindo, a título de abandonar a comunhão, para ficar desligado do Corpo de Cristo ou para se congregar com outra igreja. Os irmãos conseguem se confraternizar satisfatoriamente e participar ativamente não só dos ministérios existentes, mas também nas reuniões de adoração (cultos) da sua própria igreja. Os poucos que deixam as igrejas nos lares, geralmente, são alguns irmãos que vieram magoados de igrejas institucionais, mas não conseguiram se libertar dos sistemas e das estruturas que essas corporações eclesiásticas proporcionavam. Esses irmãos não deixaram de gostar das estruturas departamentais ou “ministeriais” das igrejas em templos. São cristãos que se acostumaram a, comodamente, receber dos “sacerdotes” profissionais, ao invés de dar. Deixaram momentaneamente o templo, mas o templo não os deixou. Mesmo assim, nem todos os que vieram de igrejas tradicionais voltam a elas. Na verdade, uma pequena minoria volta. Por outro lado, os que já se convertem nas casas, jamais saem delas, a não ser para iniciar novas igrejas nos lares.

Para quem não consegue visualizar o potencial de crescimento das igrejas nos lares, segue uma projeção, que parte de apenas uma igreja no lar:

Primeiro ano……….15 a 20 membros (1 igreja)
Terceiro ano………..40 membros (2 igrejas)
Sexto ano…………80 membros (4 igrejas)
Nono ano……….160 membros (8 igrejas)
Décimo segundo………320 membros (16 igrejas)
Décimo quinto ano……….640 membros (32 igrejas)
Décimo oitavo ano……….1.280 membros (64 igrejas)
Vigésimo primeiro ano……….2.560 membros (128 igrejas)

Observe agora, se, ao invés de apenas uma igreja, partíssemos de (apenas) três igrejas. O resultado, no vigésimo primeiro ano seria de 3 para 384 igrejas nos lares, com um total de 7.680 membros. E se ao invés de três, forem quatro igrejas ou cinco? Dá para perceber que esse crescimento em progressão geométrica de ordem dois é muito maior a longo prazo do que de qualquer igreja típica. Como disse no início, o modelo da igreja primitiva é melhor em tudo.

Comparada a isto, a igreja cristã típica de hoje é uma fraca imitação da igreja original. Ela perde duas dinâmicas inventadas pelo Espírito Santo: a atmosfera familiar relacional e o mega-evento de celebração da igreja da cidade, que tem o efeito de atrair pessoas para o Reino dos Céus. É melhor encolher primeiro, para crescer depois. Crescer saudavelmente, e não inchar.