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A Opinião de Lutero Acerca das Igrejas Nos Lares

O que Lutero pensava acerca das igrejas nos lares? Lutero defendia que deveriam existir três formas de reuniões eclesiais (que ele chamava de missas): a missa latina, um culto público para atingir principalmente os jovens, uma vez que o latim era, em sua época, uma língua cosmopolita como hoje é o inglês; o culto em alemão, para pregar ao povo; e a terceira forma era descrita dessa forma (com suas próprias palavras, de acordo com SIMSON, 2008):

“A terceira forma da missa deveria ser uma verdadeira ordem evangélica e não deveria ser realizada publicamente para todos os tipos de pessoas. Aqueles que desejam ser seriamente cristãos e e confessam o evangelho com a ação e os lábios deveriam inscrever-se nominalmente e reunir-se isoladamente, por exemplo, numa casa, a fim de orar, ler a Bíblia, batizar, receber os sacramentos e realizar outras obras cristãs…”

E continua:

“Contudo não posso nem desejo ainda estabelecer uma igreja ou reunião assim, pois ainda não tenho gente e pessoas para isso, e tampouco vejo muitos que o queiram. Porém, se eu for solicitado a fazê-lo e de sã consciência não me puder negar, farei com alegria a minha parte e ajudarei o melhor que puder.”
Quem diria, o principal reformador da igreja defendia as igrejas nos lares, como a forma mais séria de cristianismo, especialmente para aqueles que “confessam o evangelho com a ação e os lábios”!

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Transcrições de SIMSON, Wolfgang. Casas que transformam o mundo. Ed. Esperança. P. 83.

A Perseguição Histórica das Igrejas Nos lares — Como Começou

Os imperadores romanos Teodósio e Graciano (por volta do ano 380) aboliram a liberdade de religião proclamada pelo imperador anterior — Constantino — e decretaram que havia somente uma igreja cristã — a legitimada pelo Estado, bem como apenas um dogma ortodoxo — o dogma católico-romano. Cada cidadão romano foi forçado a se tornar cristão e qualquer outra forma de cristianismo foi proibida, inclusive as reuniões nas casas. Isto marcou o fim histórico das igrejas nos lares, por ordem da igreja de catedrais.

Essa determinação inverteu leis anteriores. Antes do governo do imperador romano Severo (222 – 235) havia um decreto proibindo espressamente a construção de templos ou prédios cristãos. Isto significa que as igrejas nos lares eram a única forma viável de igreja até essa época.

No entanto, desse momento em diante, reunir-se em igrejas nos lares passou a ser um desrespeito à lei, um ato criminoso. Dessa forma, começou uma nova era: a perseguição da igreja em nome da igreja.

Características das Igrejas Orgânicas

Embora não seja fácil descrever com exatidão o que seja uma igreja orgânica para alguém que não seja membro de uma, existem certas características que as distinguem. São elas:

A forma da igreja

A forma de uma igreja orgânica expressa a própria vida da igreja — tal como a forma do corpo humano expressa a vida do homem. As igrejas orgânicas não surgem a partir de estatutos, cargos e/ou de clérigos. Surgem de relacionamentos entre pessoas que amam a Jesus Cristo.

O clero

Não há clero nem ministro profissional nas igrejas orgânicas. Elas não reconhecem uma classe separada de clérigos para energizar os “leigos”. Nenhum cristão é leigo. Cristo energiza a todos e cada um energiza o outro.

A participação dos membros nas reuniões da igreja

As igrejas orgânicas permitem e encorajam todos os cristãos a funcionarem ativamente nas reuniões da igreja. Não apenas os “ministros” atuam privilegiadamente nos cultos. Todos os membros são sacerdotes ativos.

A idéia e visão de igreja

As pessoas nas igrejas orgânicas não associam “igreja” a um edifício-templo. Elas não vão à igreja – elas, juntas, são a igreja. Isto não é apenas uma teologia. Os membros experimentam isto de fato.

Os locais de reuniões

As reuniões ocorrem principalmente nos lares dos seus membros. Porém, onde estiverem dois ou três em nome de Jesus, ali é um local de reunião da igreja. Há também reuniões maiores com várias igrejas orgânicas juntas em outros locais maiores (sítios, auditórios etc.).

O que une a igreja

Os membros estão unidos unicamente em função de Cristo nas igrejas orgânicas. Não em função de um conjunto de tradições ou doutrinas.

O que sustenta a igreja

As igrejas orgânicas são sustentadas por relacionamentos construídos em Jesus Cristo.
Não dependem de um prédio. Não há salário de clérigos. Os recursos financeiros são gastos com os pobres (principalmente os “entre vocês”) e na obra missionária.

O crescimento

Uma igreja orgânica cresce naturalmente por atrair pessoas. Não faz campanhas evangelísticas, embora seus membros evangelizem individualmente ou em pequenos grupos de dois ou três. Quando o número de pessoas se torna grande demais para caber num lar, elas simplesmente se dividem em duas. Esse tipo de crescimento é o mesmo observado em organismos vivos — suas células se multiplicam.

O Foco principal

O foco de uma igreja orgânica está em possuir Jesus Cristo corporativamente, em uma comunidade face a face. Tudo mais surge a partir disto. Não está preocupada com a frequencia aos cultos, ou com os prédios da igreja, nem com orçamentos (elas não possuem os dois últimos).

O calendário anual

As igrejas orgânicas passam naturalmente pelas estações do ano. Não estão ligadas a calendários rituais.

Os dons espirituais

Nas igrejas orgânicas, os dons não são vistos como ofícios, mas sim como funções. Eles emergem naturalmente e organicamente, com o tempo. Eles crescem “do solo”, e as pessoas que recebem os dons de Deus não são intituladas, nem recebem mandatos.

O relacionamento entre os membros

Em uma igreja orgânica existe uma comunidade fortemente unida. Os membros são como uma família uns para os outros. Eles vivem uma vida compartilhada em Cristo. Eles se conhecem profundamente, compartilham refeições e não se veem apenas nos cultos da igreja.

A liderança

A liderança surge a partir do corpo. Plantadores de igreja equipam os santos no início da igreja, e presbíteros (quando surgem) supervisionam a igreja juntos.

A tomada de decisões

As decisões são tomadas por todos, em consenso. Não somente pelos ordenados ou por um conselho de ministros.

Os pastores

Pode existir mais de um pastor em cada igreja. Os pastores, nas igrejas orgânicas, são aqueles membros que possuem dons de pastoreio e cuidam do rebanho. Não são ordenados, mas reconhecidos pelo seu amor, integridade, sabedoria e conhecimento bíblico.