Monthly Archives: março 2010

A Importância do Modelo Neotestamentário

Quando Paulo foi confrontado com os que tentavam apartar-se do modelo que ele tinha dado às igrejas, respondeu com inusitada severidade, dizendo:

“Talvez saiu de vocês a palavra de Deus, ou apenas a vocês chegou? Se alguém crê ser profeta, ou espiritual, deve reconheçer que aquilo que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas se alguém discordar, deixemos ele em sua ignorância.” (1 Coríntios 14:36-38)

Nos faria bem recordar que a verdade divina se entende tanto pelo preceito como pelo exemplo.

A verdade espiritual se ensina por meio de proposições éticas, bem como mediante palpáveis demonstrações de sua execução.

Este é o caso em toda a Bíblia, desde as histórias do Antigo Testamento, passando pelos relatos evangélicos até as idas e vindas dos apóstolos no Novo Testamento. Portanto, desestimar os princípios e exemplos orgânicos da Bíblia é trair as doutrinas da Bíblia, e conseqüentemente, perder a realidade espiritual que é inseparável das mesmas.

Surpreendentemente, mesmo que uma igreja troque o modelo neotestamentário por sua própria forma construída por ela mesma, até certo ponto, a bênção de Deus ainda pode permanecer sobre ela. Isto fez com que não poucos cristãos chegassem à conclusão de que os modelos apostólicos não são importantes. Mas não devemos nos enganar crendo que a bênção de Deus está desvinculada de sua aprovação . Por exemplo, a história de Israel contém a sóbria lição de como Deus ainda pode abençoar a um povo que substituiu o propósito divino pelos seus próprios.

Ao longo das jornadas de Israel no deserto, Deus supriu todas suas necessidades em forma sobrenatural, apesar do fato de que Ele estava continuamente enojado com eles, por causa de suas constantes murmurações. O mesmo ocorreu quando os filhos de Israel clamaram por um rei em sua rebelião contra a vontade divina, o Senhor condescendeu a seu desejo carnal (1 Samuel 8:1 e ss.). Apesar disso, Ele seguiu abençoando-os. Não obstante, trágicas conseqüências seguiram a sua limitada obediência (1 Samuel 8:11-18). Israel perdeu sua liberdade sob
muitos monarcas maus, e a nação inteira sofreu uma série de juízos divinos devido à apostasía nos montes. Há um triste paralelo entre a condição de Israel e a de grande parte do povo de Deus hoje, que optou por um sistema religioso atado à terra e manejado por homens.

Frank Viola

A Tensão Entre o Vinho e o Odre

Todo mandato bíblico concernente à prática da igreja primitiva foi estabelecido por Deus para que a igreja possa funcionar de acordo com Sua eterna vontade. Portanto, não temos o direito de mudar nenhum deles. Mas é bom sublinhar que o que Deus quer hoje não é o mero emprego de “pautas neotestamentárias”, mas o propósito superior que as fundamenta.

Portanto, não ponhamos uma desmedida ênfase no odre (prática da igreja) em detrimento do vinho (Cristo – O Ungido no Espírito). Ter um apropriado odre vazio, sem o vinho, é errar quanto ao supremo propósito de Deus. Superestimar o odre produz igrejas marcadas por uma ortodoxia morta, por um enfoque escolástico da Bíblia, seco como o pó, e altamente doutrinário. Nas igrejas deste tipo, a textura da vida eclesial torna-se debulhada, mecânica, ôca e inflexível. Sua obsessão doentia revestida de correção externa, sufoca os necessários traços da ressonância, do
gozo, da riqueza e da vida. Fazendo com que o Espírito de Deus seja sufocado por um sistema institucionalizado e tornando o sacerdócio dos crentes espiritualmente lesado.

Nossa tendência carnal nos leva a transformar as coisas preciosas de Deus em preceitos legais e em fórmulas de observação estrita, o modo pelo qual Deus age é sempre pelo Espírito e mediante a vida. Não esqueçamos que a igreja é formada por pedras “vivas” que oferecem sacrifícios “espirituais” como uma casa “espiritual” (1 Pedro 2:5). Oxalá não cometamos o perigoso erro de querer transformar a prática da igreja numa mera questão de observação literal de preceitos, pois agir assim resultará numa inevitável decadência espiritual e na derrocada generalizada.

Como John W. Kennedy expressou:

“A igreja de Jesus Cristo é um corpo vivente, não um cadáver. A imposição de um modelo não faz uma igreja; isso não significa que o modelo não tenha importância… mas a igreja é inseparável da vida espiritual; apenas o modelo não basta… Nunca é demais enfatizar que a imposição de um modelo, ou o simples ajuntamento de pessoas, não constitui uma igreja. Não se pode organizar uma igreja, a igreja tem de nascer.” ( Secret of His Purpose — O segredo de seu Propósito).

Também e errôneo enfocar o vinho ao ponto de descuidar do odre que Deus ordenou. Ter vinho sem ter um odre resulta em algo muito trágico, porque invariavelmente implica em abraçar uma teologia abstrata e mística carente de expressão concreta. Semelhante desequilíbrio implica numa proliferação de igrejas carentes da liderança do Ungido como Cabeça e seriamente destituídas da plena expressão de Sua vida. Uma vez mais, John W. Kennedy observa adequadamente:

“É notável que haja tantos cristãos devotos que tendem a menosprezar qualquer menção de modelo ou ordem eclesial. “A vida —dizem—, é o mais importante; o modelo importa pouco.” Esta atitude foi a principal causa da desagregação da igreja, e restringiu em grande escala a efetividade do testemunho do Senhor por meio de seu povo. Não temos mais o direito de achar que o modelo da igreja não é importante, de achar que o modelo pelo qual fomos criados não tem importância… Devemos notar que Paulo aborda primeiro o princípio e o modelo depois. Se não tiver uma firme base de vida e entendimento espirituais, o modelo pode ser tão ruim quanto inútil.” ( Secret of His Purpose —O segredo de seu Propósito).

Frank Viola

Quais São Os Principais Objetivos Das Reuniões Da Igreja?

Certo domingo, ouvi o pastor de minha antiga igreja perguntar retoricamente do púlpito: — Por que você vem à igreja todo domingo?

Olhando para a igreja moderna, qualquer cristão responderia a essa pergunta dizendo que vamos à igreja principalmente para: (1) ouvir um bom sermão – e assim nos edificar; (2) cantar em louvor e adoração a Deus; (3) entregar dízimos e ofertas para a manutenção da obra do Senhor; (4) ter comunhão com os demais irmãos. No entanto, olhando para o Novo Testamento e observando as práticas eclesiais das igrejas do primeiro século (as nossas origens), para surpresa de muitos, esses propósitos, embora válidos, não deveriam ser os principais objetivos das reuniões semanais de uma igreja. Um homem ou mulher de Deus de bom senso percebe que não foi principalmente para isto que Jesus Cristo edificou sua igreja; não foi principalmente para isto que Jesus Cristo a estabeleceu como o seu corpo físico na terra, até que ele volte.

As igrejas narradas no nosso Novo Testamento se reuniam tendo dois propósitos principais para suas reuniões dominicais. E quais eram esses? O primeiro propósito está intima e fortemente relacionado à própria identidade da igreja. Ela é O CORPO FÍSICO DO SENHOR Jesus Cristo, aqui na terra.

“Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros.” (1 Cor. 12.27).

“E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores-mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”. (Ef. 4.12); (Grifos nossos)

Em outras palavras, quando os cristãos estão reunidos, exercendo os seus dons participativamente, em uma reunião dirigida diretamente pelo Espírito Santo, o Senhor se manifesta pessoalmente! Embora isto seja um mistério sem explicação racional, os cristãos do primeiro século se alimentavam dessa presença real de Jesus Cristo manifestada por meio do seu povo, semanalmente. Quando um crente do primeiro século ia a uma reunião de sua igreja, no lar de algum irmão, ele usava seus dons dados pelo Espírito Santo, assim como os demais, e via em todos daquela célula do corpo a vida e o ministério de Jesus em ação.

Por sua vez, quando um descrente ia a uma reunião de uma igreja no primeiro século, ele via a manifestação de Jesus por meio da vida dos crentes, e ficava maravilhado! O incrédulo percebia o amor do Senhor fluindo na reunião. Recebia palavras proféticas de exortação contra pecados cometidos por ele ou ela, de um modo que só Deus saberia. Percebia o gozo sobrenatural da presença do Senhor fluindo na adoração coletiva dos crentes. Ouvia exposições das Escrituras por parte de pessoas simples com tamanha propriedade que nenhum religioso profissional jamais fizera. Ouvia testemunhos de vitórias dos crentes sobre doenças e outras tribulações. Ouvia também testemunhos de alegrias de crentes por terem sido presos e/ou perseguidos por causa do Evangelho. Ouvia pessoas simples louvar a Deus em outros idiomas – isto quando havia alguém presente que traduzisse. Percebia a festa santa que eram os jantares comunitários, feitos na presença do Senhor e em sua memória. Tais manifestações atestavam sem qualquer dúvida que Jesus continua sobrenaturalmente vivo e atuante no mundo – por meio de sua igreja – o seu corpo. Nenhum incrédulo saia de uma reunião da igreja do mesmo modo que entrou. Ou ele/ela se renderia aos pés do Senhor ou odiaria de vez os cristãos – caso tivesse envolvimento deliberado com o inimigo. Passagens como 1 Cor. 14.26 demonstram esta vivacidade das reuniões da igreja neotestamentária.

Assim, o principal propósito das reuniões de uma igreja é manifestar a efetiva presença de Cristo no mundo. Nada traz mais glória ao Senhor do que ter manifestada a sua viva e eterna presença, e o seu reino no mundo. Isto é o suficiente para a conversão de uma pessoa sensata, antes incrédula. É o maior evangelismo que pode existir. É a “pregação” e o testemunho mais poderosos.

A igreja neotestamentária também se reunia prioritariamente para edificar uns aos outros. Este era o segundo propósito. Deus não nos deu dons e talentos para serem guardados apenas para nós mesmos ou para serem reprimidos. Ou muito menos para serem usados apenas quando a “direção” da igreja convidar. Ele quer que os usemos nas reuniões da igreja para edificar os demais irmãos – assim como cada membro de nosso corpo funciona em benefício dos demais, e do corpo todo.

E eu não estou falando sobre arrumar auditórios, passar slides no power-point, equalizar som, tocar instrumentos musicais, essas coisas que os crentes modernos fazem e que chamam de “ministérios”. NÃO! Estou falando de profetizar, de ministrar um cântico, de dar uma palavra de incentivo a um irmão, de trazer sua comida para compartilhar, de ensinar trechos ou temas das Escrituras, de orar, de chorar com os que choram, de levantar ofertas para os necessitados etc. É disso que estou falando. Dessas coisas que os nossos irmãos faziam no primeiro século. Veja que isto é completamente diferente do enfoque dos crentes modernos. Devemos ir às reuniões dominicais da igreja com a intenção de servir, e não de sermos servidos! O leitor poderia pensar agora: – Mas esse tipo de reunião participativa não é possível hoje nos cultos cristãos, pois neles há centenas de pessoas. E eu tenho que concordar com você. É claro que isto dificilmente poderá acontecer em uma reunião com mais de vinte pessoas, com liturgia formal, e onde apenas um – o “pastor” ordenado – fala em nome de Deus. Edificação mútua e serviço mútuo só ocorrem em reuniões de pequenos grupos, que sejam participativas, e que não sejam dominadas por uma elite religiosa, mas dirigidas diretamente pelo Espírito Santo.

E este tipo de reunião também é possível hoje. Não é “coisa do primeiro século”, como muitos crentes de hoje afirmam. Está acontecendo novamente nos dias atuais, em centenas de casas no Brasil e no mundo. E também não é bagunçada, como alguns pensam. Tudo é feito com ordem e decência. E tem abençoado pessoas em todo lugar.

Resta-nos lembrar e enfatizar que a manifestação da presença do Senhor no Corpo – a igreja reunida, bem como a edificação “uns aos outros”, só acontecerá se, e, somente se, cada membro do corpo, cada pessoa, caminhar com Deus durante cada dia da semana. Se ao menos um membro estiver espiritualmente doente, todo o grupo será prejudicado. Penso que este é um dos motivos pelos quais, ao longo dos séculos de história da igreja, as reuniões de pequenos grupos nos lares foram substituídas pelo estilo “sinagoga” de reunião, largamente adotado por quase todas as denominações cristãs desde o século IV. No estilo sinagoga, uma liturgia formal e repetitiva garante que a “programação” não irá falhar. Um bom orador garante um bom sermão para os ouvintes (os cristãos classificados como “leigos”). Uma boa banda ou um bom organista garantem uma boa música, e assim ninguém precisa se dedicar pessoal e devocionalmente para ter experiências com o Senhor, ou para estudar seriamente a Bíblia e compartilhar com os irmãos no domingo seguinte. Basta ir aos cultos, ouvir o sermão, cantar, doar dinheiro para manter o prédio e o salários dos funcionários da igreja, dar uns apertos de mãos e uns tapinhas nas costas de alguns irmãos na saída dos cultos e pronto. Isto é tudo que se exige hoje de um “bom cristão”.

Se você se enquadra nesta categoria de cristãos satisfeitos com o status quo, este artigo não é para você. Este artigo é para aqueles que querem mais de Deus. É para aqueles que foram chamados para viver um Cristianismo vivo e desafiador, um Cristianismo cheio de aventuras espirituais com o Senhor. Aqueles que sonham em serem homens e mulheres segundo o coração de Deus, e participar de uma igreja segundo o coração de Deus.

Se você se enquadra neste segundo tipo de cristãos, viva cada dia buscando o Senhor. Seja rico de experiências com Deus e do conhecimento da Palavra. Vá às reuniões da sua igreja local com os propósitos principais de ver manifesta a presença real de Jesus Cristo na terra, por meio de seu Corpo Físico (a igreja), e de servir aos irmãos com seus dons e talentos, bem como para compartilhar suas experiências com o Senhor. A comunhão entre os irmãos (amizade profunda) e outras coisas boas e importantes serão acréscimos – decorrerão naturalmente disto.

Um novo tipo de líder religioso precisa se levantar entre nós.

“Se o Cristianismo deve receber um rejuvenescimento, este deve ser por outros meios além daqueles que agora estão sendo usados. Se a igreja moderna quer se redimir do que foi acusada na primeira metado do Século XX, tem que aparecer um novo tipo de pregador. O próprio tipo “governante de sinagoga” jamais o fará. Nem tampouco o pregador-sacerdote que cumpre seus deveres, recebe seu salário e não questiona nada, nem o pastor-light que sabe como fazer a religião cristã ser aceitável a qualquer um. Todos esses têm tentado e continuam tentando. Um novo tipo de líder religioso precisa se levantar entre nós. Este deve ser como um profeta antigo, um homem que tem visões de Deus e tem ouvido a voz do Trono. Quando ele vier (e eu oro para que não seja apenas um, mas muitos) ele se colocará em clara contradição ao que nossa civilização sustenta. Ele contradirá, denunciará, e protestará em nome de Deus e receberá o ódio e a oposição de um largo segmento da Cristandade.”

A. W. Tozer.

Pastor Televisivo Brasileiro Ataca Igrejas Nos Lares

Recentemente, um pregador evangélico pentecostal brasileiro que se utiliza da televisão para divulgar suas mensagens e vender seus livros bradou que as igrejas nos lares não devem ser adotadas pelos cristãos brasileiros, por conterem erros bíblicos-doutrinários. Outro dia ele já havia errado ao pregar contra a clara doutrina bíblica da predestinação. Agora erra novamente, pregando contra as bíblicas igrejas nos lares.

Sua pregação contra as igrejas nos lares abordou principalmente dois pontos: a questão da necessidade do pastor como chefe/autoridade de uma igreja, e do edifício-templo, como local consagrado a Deus. Segundo aquele pastor televisivo, esses “ingredientes” são indispensáveis para que uma igreja seja “de Deus”.

Acerca dos pastores

A respeito da figura do pastor-chefe, oficial com autoridade hierárquica, o famoso pregador televisivo argumentou que as igrejas necessitam de um pastor com autoridade outorgada pela respectiva igreja, para que seja o “canal de Deus”, e que oriente, equipe, dirija e inspire os fiéis. Sua fundamentação bíblica, contudo, baseou-se em passagens do Novo Testamento que não se referem propriamente a pastores de igrejas locais. Nem Timóteo nem Tito eram pastores de igrejas locais. Este é um erro hermenêutico que a igreja protestante e católica precisam corrigir. Timóteo, Tito, e outros eram colaboradores do apóstolo Paulo (cooperadores), portanto, futuros apóstolos, “trainees” de apóstolo. Eles acompanhavam Paulo em suas viagens, e ele os preparou para serem apóstolos como ele; para dar continuidade ao seu ministério apostólico junto às igrejas gentias, depois dele. Eles não eram pastores. Eram futuros apóstolos. E a função do apóstolo era primordialmente plantar (fundar) igrejas e dirigi-las somente enquanto os seus próprios presbíteros não surgissem. Os apóstolos eram mais parecidos com os missionários transculturais (transnacionais) de hoje. Depois de algum tempo de plantação de uma igreja, os apóstolos apontavam pais de família locais, sábios e maduros na fé e na idade (presbíteros), que, depois de reconhecidos pelos demais irmãos, passavam a compor um conselho de dirigentes das igrejas. Composto o Conselho, a igreja se auto-dirigia. Veja:

“Saúdam-vos Timóteo, meu cooperador, e Lúcio, e Jáson, e Sosípatro, meus parentes.” (Rom. 16.21)

“Quanto a Tito, ele é meu companheiro e cooperador para convosco;” (2 Cor. 8.23).

“Julguei, contudo, necessário enviar-vos Epafrodito, meu irmão, e cooperador, e companheiro nas lutas, e vosso enviado para me socorrer nas minhas necessidades;” (Filip. 2.25).

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem o que ainda não o está, e que em cada cidade estabelecesses presbíteros (anciãos), como já te mandei;” (Tito 1.5)

(grifos nossos)
Aquele pastor televisivo quer defender a figura do pastor com autoridade hierárquica, porque esquece (ou não sabe) que o próprio Senhor Jesus proibiu a nós cristãos de estabelecermos autoridade hierárquica em nossas igrejas, como o mundo faz. Isto é muito claro em Mateus 20.25-28:

“Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (grifo nosso)

A palavra traduzida como “autoridade” em Mat. 20.25 é a palavra grega exousia. Irmãos, vocês podem ler o Novo Testamento Grego do início ao fim e jamais encontrarão esta palavra exousia (autoridade) num contexto onde um crente em Cristo tem exousia (autoridade) sobre outro crente! Você nunca encontrará isto no Novo Testamento. Isto simplesmente não está lá.

Outro erro sério daquele pregador televisionado é pensar que não há pastores nas igrejas nos lares. Há sim! E nelas há pastores de acordo com o Novo Testamento, ou seja, homens locais, maduros na fé e na idade, que possuem os dons necessários ao pastoreio “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores-mestres,…” (Ef. 4.11). Pastor é dom e não cargo, nem ofício. Os pastores das igrejas nos lares não são “oficiais”, nem “autoridades”, e não recebem salários. As igrejas nos lares reconhecem esses homens como líderes, logo que eles surgem. E eles lideram a igreja voluntariamente, com amor, resignação e com os seus exemplos. Eles servem – não são servidos. Seus testemunhos de vida é o que lhes dá autoridade. Eles não são como a maioria dos pastores das igrejas institucionalizadas, que agem como diz Judas:

“Estes são os escolhidos em vossas festas-ágape, quando se banqueteiam convosco, pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas;” (Judas 1.12, grifo nosso).

Nem são dominadores, “mandões”, amantes de cargos e títulos, contra os quais Pedro repreende:

“Aos presbíteros, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade;nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho.” (1Pe 5.3, grifo nosso).

Os pastores-presbíteros das igrejas nos lares seguem o exemplo de Paulo, que nunca recebeu dinheiro de uma igreja na qual ele servia. Eles levantam seus próprios sustentos com trabalhos seculares e contribuem financeiramente com as igrejas onde servem. Dão, ao invés de receber, pois “Há maior felicidade em dar do que em receber” (Atos 20.35)

Acerca dos edifícios-templo

O pastor televisivo novamente usou mal a fundamentação bíblica, quando defendeu os edifícios-templos. Ele citou Mateus 21.13: “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores.” Com este verso o pastor afirmou no canal de televisão que Jesus apoiava a construção de templos por cada igreja! Este é um erro tão grande que é difícil não perceber. O Senhor Jesus, quando disse isto, estava expulsando os comerciantes que atuavam no pátio do Templo de Jerusalém, aquele construído por Salomão e reconstruído por Herodes (não com a mesma planta nem com a mesma riqueza de acabamento). Aquele templo — o Templo de Jerusalém — era, na terra, o templo de YHWH (Yahweh), o Deus dos Judeus. O único templo na face da terra que havia sido aceito por Deus como local principal (mas não único) de sua manifestação aos Judeus. Era de se esperar que Jesus honrasse aquilo que seu pai honrou — o Templo de Jerusalém. Porém, Jesus ali estava se referindo exclusiva e diretamente àquele templo, enquanto existia, e não aos templos que existem hoje em toda esquina, construídos por igrejas institucionalizadas. Lembremo-nos de que, logo depois, o mesmo Senhor Jesus profetizou que o Templo de Jerusalém seria destruído e que não restaria “pedra sobre pedra”. Isto foi cumprido no ano 70 d.C. quando os romanos invadiram e destruíram Jerusalém, e inclusive, incendiaram o seu templo. E agora? Já que não existe mais aquele templo, onde é hoje a casa de Deus? Todo cristão sabe que é o templo de sua denominação, certo? Errado! O templo hoje é o nosso corpo!

O Senhor Jesus disse a mulher samaritana (João 4) que não se deve adorar “Nem no templo nem no monte, mas em espírito e em verdade”. E Ele enfatizou ainda que são esses os adoradores que Deus procura. Em outras palavras, hoje, o Senhor está interessado em pessoas que o adorem em qualquer lugar por onde andarem, e não em pessoas que o adoram apenas em certos lugares consagrados, e em certos dias sagrados. Isso é religiosidade superficial — e muitas vezes, falsa. Paulo, o apóstolo, ensinou, em clara harmonia com o ensino de Jesus Cristo, nosso amado Senhor, que nosso corpo é o templo onde habita Deus (ver 1 Cor. 6.19; 2 Tim. 1.14; Tiago 4.5). Se o templo é o nosso corpo, pra que edifícios-templo? Construir templos fere o ensino do Senhor.

O maior problema dos edifícios-templo, além de não serem neo-testamentários, é que eles imprimem subliminarmente na mente dos fiéis, a falsa idéia de que Deus mora nos templos; que Ele só se manifesta e fala com os crentes lá. É preciso ressaltar quea igreja não é um lugar, mas um grupo de pessoas. Os crentes não vão à igreja — eles, juntos, são a igreja.

Outro problema que os templos causam é a alta despesa para construí-los e/ou mantê-los. Os cristãos que se congregam em igrejas com templos gastam uma enorme quantia na manutenção de templos, ao invés de investir na vida dos “pobres entre nós”. Pesquisas nos Estados Unidos demonstram que 80% do dinheiro arrecadado pelas igrejas institucionalizadas é gasto com manutenção de edifícios e com salário de pastores e funcionários. Na maioria das igrejas nos lares de hoje, ao contrário disso, cerca de 80% de qualquer dinheiro arrecadado é gasto com os necessitados e com missionários; e aproximadamente 20% é gasto com infra-estrutura.

Concluindo, o pregador televisivo equivocou-se enormemente. As igrejas nos lares de hoje continuam bíblicas e válidas como forma de igreja. Aliás, suas práticas se fundamentam muito mais no Novo Testamento do que as da igreja institucionalizada. A igreja do Senhor não precisa de pastores “oficiais” autoritários e assalariados, dominadores, que pesam na carteira do povo de Deus; ela precisa de servos, presbíteros, voluntários, de bom testemunho na sociedade, que amem ao Senhor em primeiro lugar e ao próximo como a si mesmos. A igreja não precisa de templos de concreto e tijolo; ela precisa de templos de carne e osso – irmãos que abram seu coração para que Jesus Cristo venha morar e se manifestar neles.