Monthly Archives: julho 2010

Respostas Às Objeções Contra A Liderança das Igrejas Nos Lares – Parte 2

Liderança Em Atos E Nas Cartas De Paulo – Parte 2

Em sequência ao estudo sobre liderança da igreja no Novo Testamento, vamos analisar mais algumas passagens em Atos e nas cartas de Paulo, que têm sido mal traduzidas ou mal interpretadas, fazendo com que muitos irmãos (mal) usem a Bíblia para defender uma liderança hierárquica na igreja.

As qualificações constantes nas chamadas “epístolas pastorais” (1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.6-10) não provam que bispos ou presbíteros são oficiais da igreja?

“Esta afirmação é digna de confiança: Se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o Diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do Diabo.” (1 Tim. 3.1-7. NVI)

“É preciso que o presbítero seja irrepreensível, marido de uma só mulher e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão. Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto. Ao contrário, é preciso que ele seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela.” (Tito 1.1-7. NVI)

Primeiramente, convém ressaltar que tudo que está escrito nas cartas a Timóteo e a Tito foi feito para instruir companheiros apostólicos. Já demonstramos antes que nem Timóteo nem Tito eram pastores de igreja (veja a parte 1 deste estudo). Paulo estava escrevendo para companheiros apostólicos, e não para igrejas ou para pastores.

Na passagem citada, a palavra que induz ao pensamento institucional é “governar”, que está em 1 Timóteo 3.4 e 5, e que, como veremos aqui, foi mal traduzida do Grego. A palavra grega traduzida como “governar” é proistámenos, que significa mais propriamente “guiando”, “estando à frente” ou “liderando”. Governar é ter autoridade para decidir: é mandar. Liderar/guiar é bem diferente; é mostrar o caminho e influenciar para que andem por ele. O governante é obedecido; o líder é seguido. O governante é temido; o líder é querido. O governante tem uma autoridade dada por uma instituição; o líder tem autoridade interior. A tradução correta deste verso é:

“Liderando bem sua própria casa, sendo os seus filhos sujeitos a ele, com todo o respeito. Pois, se alguém não sabe guiar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3.4, 5)

Paulo está dizendo que a relação de liderança que o homem exerce na família se refletirá na igreja. Se ele não é respeitado pelos seus filhos, não será também respeitado na igreja. Se ele não orienta sua família, não saberá orientar os irmãos da igreja.

O que temos, portanto, nessas passagens, são qualidades essenciais de um verdadeiro supervisor de igreja, não uma lista de qualificações para um cargo a ser preenchido com uma eleição ou indicação. O próprio Paulo não chama o episcopado de ofício ou cargo, mas de função (1 Tim. 3.1). Nessas duas passagens, Paulo estava recomendando a Timóteo e a Tito que observassem, nas igrejas, os homens que já possuiam essas qualidades, e os reconhecessem perante o povo da igreja, para que eles pudessem lhes servir de guias e exemplos.

Por conseqüência, igualar os bispos nessas passagens com os modernos oficiais de igreja é “forçar a barra” na interpretação. É impor ao Novo Testamento a mentalidade do homem moderno, e assim, distorcer a Palavra de Deus.

1 Coríntios 12.28 não está determinando uma hierarquia de oficiais da igreja?

“E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.” (1 Coríntios 12.28. ARA)

Existe uma “mania” peculiar de pessoas do ocidente (herdada da cultura romana) de achar que toda lista deve ser vista como um posicionamento hierárquico do tipo “de cima para baixo”. Só que, enquanto o leitor ocidental moderno enxerga em listas como a de 1 Coríntios 12.28 uma hierarquia de ofícios, o Novo Testamento não o faz.

A questão de estruturas de autoridade não está sendo tratada nessa passagem. Portanto, interpretar a passagem como uma hierarquia de oficiais da igreja não é fazer uma exegese do texto; é impor a ele um sentido que ele não dá.

A tradução da ARA não traz nenhum problema nesta passagem. A dificuldade aqui é de interpretação, não de tradução.

A ordem que está sendo descrita no verso em pauta é uma ordem cronológica, e não posicional. O que Paulo está dizendo aqui é que Deus colocou na igreja primeiramente os apóstolos – esses foram os primeiros a surgir na igreja. Depois surgiram os profetas, e em terceiro os mestres; depois os demais. Não há qualquer indicação na passagem, de que os profetas eram subordinados aos apóstolos como se fossem oficiais em uma força armada. Quando o Senhor revelava algo a um profeta, este não pedia autorização a um apóstolo para proclamá-lo. Ao contrário, às vezes os profetas proclamavam revelações de Deus aos apóstolos, e esses as ouviam como ao Senhor (como no caso do profeta Ágabo – Atos 11.28 e 21.10). Da mesma forma os mestres não estavam subordinados aos profetas nem aos apóstolos. Todos eram subordinados diretamente a Jesus Cristo – o cabeça da igreja – como deve ser na igreja também hoje.

Não há na passagem hierarquia de ofícios. Não vejo na passagem sequer hierarquia de dons, como alguns estudiosos vêem. Vejo simples e naturalmente uma ordem cronológica de como Deus foi distribuindo dons ao seu povo e vocacionando-os para diferentes serviços. Tudo para a edificação da igreja.

E Atos 20.28; 1 Tess. 5.12; 1 Tim. 5.17-18; e Hebreus 13.17 não dizem que os bispos têm que “presidir ou governar sobre” a igreja?

Analisemos uma a uma as passagens.

“Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue.” (Atos 20.28. ARA)

“Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue.” (Atos 20.28. NVI)

Neste verso há um dos casos mais explícitos de erros de tradução que prejudicaram a doutrina da igreja. A palavra “sobre” foi traduzida da preposição grega en, que significa “entre”. Os presbíteros não estão sobre a igreja, como se fossem superiores; eles estão entre os irmãos, no meio da igreja, como iguais. Pesquisei em todos os léxicos Grego-Português publicados que tive acesso, e não encontrei NENHUM que traduzisse esta palavra como “sobre”. Assim como o leitor, fiquei surpreso e estupefato de ver como traduziram essa palavra erradamente, alterando o sentido do verso e da passagem inteira.

Os presbíteros têm um chamado nobre a exercer nas igrejas locais. São os pastores das igrejas. Devem ser honrados e respeitados. Mas nunca foram nem serão superiores hierarquicamente. Eles são iguais. Vejamos os outros versos.

“Ora, rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, presidem sobre vós no Senhor e vos admoestam;” (1 Tess. 5.12. ARA)

“Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham.” (1 Tess. 5.12. NVI)

A palavra grega traduzida na ARA como “presidem” é proistámenos, e já comentamos sobre o sentido adequado dessa palavra neste artigo. Aliás, a NVI a traduz corretamente como “lideram”. A palavra “sobre” na tradução da ARA é a mesma palavra grega en, já comentada na seção anterior. Dessa vez, a NVI a traduziu corretamente como “entre”. A tradução desse verso na ARA confunde o leitor moderno, passando-lhe a idéia errônea de que Paulo estava reafirmando a posição hierárquica organizacional dos presbíteros de Éfeso sobre os demais irmãos.

“Os anciãos que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino. Porque diz a Escritura: ‘Não atarás a boca ao boi quando debulha.’ E: ‘Digno é o trabalhador do seu salário.’” (1 Tim. 5.17-18. ARA)

“Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: “Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal”, e “o trabalhador merece o seu salário”.” (1 Tim. 5.17-18. NVI)

A palavra que aparece como “governam” na ARA é a mesma proistámenos e como já foi visto, ela deveria ter sido traduzida como “guiam” ou “lideram”. Presbíteros não governam; eles lideram, guiam.

Além disso, acerca desse verso, há pessoas que lhe forçam a interpretação, dizendo que na palavra “honra” (Gr. timés) está implícito o sentido de “honorários”, porque os versos seguintes dão este sentido. Na verdade, essas pessoas desconhecem que Paulo está utilizando na passagem um recurso de linguagem chamado paralelismo, muito usado pelos escritores hebreus. Este recurso pode ser entendido como uma argumentação lógica, onde os elementos se colocam em paralelo. Veja como isto é feito:

Afirmação principal
O presbítero que lidera e ensina merece honra

Argumentos paralelos
O boi merece comer enquanto debulha
O trabalhador merece salário

Montando as idéias esta passagem pode ser assim entendida: “Assim como o boi merece comer enquanto debulha, e o trabalhador merece o seu digno salário, os presbíteros que lideram bem, principalmente aqueles que pregam a palavra de Deus e a ensinam, merecem ser muito honrados pela igreja local.”

Mais uma vez, o Novo Testamento não fala de hierarquia, nem de cargos, nem de ofícios, nem de salários de pastores. O “salário” de um pastor… é muita honra.

Vejamos agora Hebreus 13.17.

“Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Heb. 13.17. ARA)

“Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês.” (Heb. 13.17. NVI)

A palavra grega traduzida como “obedecei” na ARA e “obedeçam” na NVI, é peithesthe. Essa palavra vem do radical peitho, que significa “persuasivo”. O correto, então, seria traduzir peithesthe como “deixem-se ser persuadidos” ou “procurem concordar”.

A outra palavra mal traduzida neste verso é upeikete, traduzida como “submetam-se”. Este verbo, embora também possa assumir o sentido de “submeter-se” em outro texto fora do Novo Testamento, não parece ser o sentido do verso aqui. Uma vez que o Novo Testamento nunca trata os líderes da igreja como “senhores”, a quem se deva submeter-se, o sentido mais apropriado de upeikete seria “dar precedência”, ou “dar preferência”

Assim, a tradução adequada do verso é:

“Procurem concordar com os seus líderes, e lhes dêem a preferência; porque vigiam pelas almas de vocês como se fossem prestar contas delas; para que o façam com alegria e não reclamando, porque isso não seria proveitoso.” (Heb. 13.17. ARA)

Esta tradução (nossa) fica em completa harmonia com o ensino do Novo Testamento sobre a liderança da igreja. Embora não sejam “oficiais”, os líderes eclesiais devem ser muito honrados, queridos e preferidos. Embora só devamos ser submissos a Cristo, o único Senhor, devemos procurar concordar com nossos líderes, que tanto se dedicam ao Senhor e à sua igreja.

Entre seis e doze milhões de cristãos se congregam atualmente em igrejas nas casas nos EUA.

Depois de muitos anos operando fora do radar, a Igreja nos lares começa a chamar a atenção da Igreja institucional e da mídia secular. Somente nesta semana que passou, o jornal USA Today, a CBS, o Denver Post e a Yahoo! News publicaram reportagens a respeito da Igreja nos lares nos EUA. Abaixo, o resumo de uma delas:

De acordo com os analistas, a Igreja nas casas é parte de uma mudança fundamental na maneira como os cristãos vêem a Igreja nos EUA. Esqueça os sermões, os edifícios grandes e caros, as multidões de desconhecidos – dizem eles. A Igreja nas casas é fundamentada em relacionamentos construídos em grupos pequenos.

“Penso que parte do atrativo para algumas pessoas é que o movimento da Igreja nas casas é fruto de um desejo de retornar à uma expressão mais simples de Igreja” – disse Ed Stetzer, professor de seminário bíblico e presidente do Instituto de Pesquisas LifeWay, afiliado à Igreja Batista do Sul. Para muitos, “a Igreja se tornou um tipo de negócio e eles só estão interessados em viver aquilo que a Bíblia descreve.”

Ao invés de um edifício, muitos cristãos americanos agora se congregam em igrejas nas casas. Ao contrário dos templos, onde os congregantes participam de cultos programados e escutam sermões, as igrejas nas casas consistem de grupos de doze a quinze pessoas que compartilham o que está acontecendo em suas vidas, sempre buscando direção nas Escrituras.

A Igreja nas casas é mais comum em países onde o Cristianismo não é a religião predominante. Mas os organizadores afirmam que este tipo de igreja está começando a se tornar popular nos EUA.

Os participantes dizem que a Igreja nas casas é uma espécie de retorno à Igreja Primitiva, sem clero, onde se espera que todos contribuam ensinando, cantando e orando.

Ed Stetzer diz que a Igreja nas casas não oferece tudo o que uma Igreja tradicional pode oferecer. “Eles não têm grupos de jovens, ministérios de mulheres ou de homens”, aponta. Entretanto, complementa dizendo que “eles estão em comunhão uns com os outros, e isso é o que define a Igreja como um todo.”

“A maioria dos cristãos concorda que não importa se uma Igreja se reune em uma catedral ou em uma cafeteria; o que importa [… ] é que funcione como uma Igreja bíblica e viva os valores que devem estar presentes em cada Igreja. Acho que esse é o fator é que está atraindo as pessoas [à Igreja nos lares]” – conclui Stetzer.

O Instituto Barna, uma empresa especializada em pesquisas na área de religião, estima que entre seis e doze milhões de cristãos congreguem em igrejas nas casas nos EUA.


Reportagem completa: USA Today. Tradução: Paoevinho.org

Comunidade evangélica no nordeste brasileiro chama a atenção da mídia

Uma comunidade evangélica no nordeste brasileiro chama a atenção da mídia por sua simplicidade e por seu enfoque missional. A igreja sem nome e sem sede promove os seus cultos nas casas de seus membros, debaixo de viadutos, árvores ou na rua. A comunidade religiosa afastou de sua caminhada tudo aquilo que, na opinião de seus integrantes, atrapalha o foco central de sua fé, que é a figura única de Cristo.

Atualmente, apesar de todo o avanço científico, o fenômeno religioso sobrevive e cresce, desafiando previsões que anteviram seu fim. A maioria da humanidade professa alguma crença religiosa direta ou indiretamente. A religião continua atraindo milhares de fiéis e enriquecendo alguns pregadores. Em alguns casos, o fanatismo religioso confirma o pensamento do filósofo alemão Karl Marx que definiu a religião como “o ópio do povo”.

No Cariri, marcado pelo misticismo e pela devoção ao Padre Cícero, cresce o pluralismo religioso das mais diversas formas. O pastor da Igreja Batista, Samuel Lobo, diz que são incontáveis os cultos religiosos que chegam a Juazeiro. O “loteamento” de um espaço no céu está levando muitos cristãos a procurarem práticas religiosas diferentes das igrejas convencionais. Paralelamente, cresce também o número daqueles que, embora se professem cristãos, não frequentam nenhuma denominação religiosa.
Caminhada pessoal
“São pessoas convertidas, mas que, decepcionadas com os rumos da pregação e da instituição, optaram por uma caminhada pessoal, vivida na intimidade, ou então pela formação de pequenos grupos nos lares, reeditando o cristianismo do primeiro século”, analisa o advogado Emerson Monteiro, lembrando que existe uma tendência, principalmente entre jovens, de procurar novos caminhos.
No Crato, está nascendo uma religião sem nome, sem igreja, sem padres e pastores e que tem como único líder Jesus Cristo. “É a restauração do antigo cristianismo, quando os seguidores de Jesus pregavam de casa em casa e exerciam a verdadeira partilha, a solidariedade, principalmente, para com os mais pobres, abandonados, que nunca, por exemplo, comemoraram o seu próprio aniversário”, define o radialista José Jesus de Almeida Júnior, integrante da nova comunidade evangélica.
É o caso da mendiga Francisca Ribeiro da Silva, que vive debaixo de uma algaroba, ao lado da via férrea, que liga Crato à Juazeiro. Ali, ao relento, ela faz a própria comida e dorme em cima de um colchão velho. Não sabe de onde veio, para aonde vai e não se lembra da idade. “Os crentes comemoraram o meu aniversário, foi uma festa bonita”, diz ela, referindo-se a iniciativa dos integrantes da igreja sem nome.
Na contramão da maioria das religiões, a nova tendência evangélica não cobra dízimo de seus integrantes. Ao contrário, eles tiram dinheiro do seu próprio bolso para ajudar pessoas pobres e abandonadas. Mendigos, alcoólatras, desempregados, ou pessoas com deficiência mental são retirados das ruas e reintegradas à sociedade com ações sociais que vão desde a entrega de cestas básicas até a realização de festas de aniversario.
Caminho, verdade e vida
“Somos seguidores do Caminho, que é Jesus. Estamos a caminho do céu. Este céu que já começa aqui e se planifica na eternidade, pois Jesus trouxe os valores do Reino de Deus, com a sua entrada na história, no tempo, no espaço, em vista da plenitude dos tempos”, explica Almeida Júnior.
Criado numa família de católicos praticantes, ex-funcionário de uma emissora católica, Almeida Júnior frequentou uma igreja evangélica durante 10 anos. Descobriu nos textos bíblicos que o único caminho é Jesus. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Este ensinamento do apóstolo João levou Almeida a fazer uma reflexão sobre o seu itinerário religioso.
A partir daí, ele passou a questionar os conceitos doutrinários das religiões. Terminou se isolando em seu mundo particular procurando uma resposta para suas dúvidas. Encontrou na internet a indicação do livro “A Igreja de Casa em Casa”. Foi a senha para o reencontro consigo mesmo. O livro trata de um movimento religioso internacional, com ramificações em alguns estados do Brasil.
No contato virtual com outros irmãos de fé, o radialista descobriu que não estava só na sua maneira de pensar. De acordo com a nova vertente evangélica, Jesus é apresentado como um exemplo individual cujo modelo de vida é o caminho. “Seus ensinamentos, sermões e instruções são os meios que podem nos conduzir ao conhecimento da verdade eterna, diferente das verdades transitórias ou passageiras. E, por último, entende que Jesus é o representante da vida perpétua”.
Almeida sonha com um cristianismo que acolha o viciado, o mendigo, a prostituta e todos os pobres e doentes da terra, como Jesus fazia. Com esta concepção, a comunidade religiosa afastou de sua caminhada tudo aquilo que, na opinião de seus integrantes, atrapalha o foco central de sua fé, que é figura única de Cristo, a começar do dízimo, uma contribuição, paga voluntariamente, ou como imposto, normalmente para ajudar organizações religiosas e, muitas vezes, utilizada como moeda de compra e venda do reino do céu.

Por enquanto, apenas três famílias, na cidade do Crato, estão participando da nova religião. O grupo não está preocupado com o crescimento. Só permanecem na comunidade aqueles que têm o espírito de solidariedade, o sentimento cristão de partilha, diz o irmão Francisco de Assistis, integrante dos “Sem Igreja”. Há poucas indicações na Internet sobre esta nova vertente evangélica. No entanto, de acordo com o último censo, os sem-igreja aparecem nas pesquisas. O fato de não ter nome, igreja e hierarquia torna-se difícil a sua identificação. Porém, há registros de grupos de cristãos independentes em vários Estados do Brasil e, também, no exterior.

Para adeptos, igreja é povo de Deus

A igreja sem nome e sem sede promove os seus cultos nas casas de cada dos seus membros, viadutos, árvores ou rua.
O radialista José Jesus de Almeida Júnior, integrante da nova comunidade evangélica, lembra que, em Roma, os primeiros cristãos encontravam-se em subterrâneos, chamados catacumbas, onde partiam o pão durante os encontros, perpetuando o gesto de Jesus na noite em que foi preso. Esses primeiros cristãos deram prova de muita confiança e coragem. “Este é o caminho que nós tentamos seguir, adaptando, naturalmente, os costumes da época ao tempo de hoje e partindo do princípio bíblico de que a igreja somos nós, o povo de Deus”.
A igreja sem nome e sem sede promove os seus cultos nas casas de cada um dos seus membros, debaixo de viadutos, árvores, ou no meio da rua. Eles partem do pressuposto de que “Deus não estabeleceu a construção de igrejas”. O culto começa com uma pequena palavra de abertura, segue-se um momento de oração e, logo após, um período de cânticos de louvor. Após o término deste período, é iniciada a pregação fundamenta em textos bíblicos. O término do culto se dá com avisos, pedidos de oração e confraternização entre as famílias presentes.
Tudo idêntico a uma igreja evangélica qualquer, se não fosse o fato de ela não ter nome, estatuto, livro ata, não possuir CNPJ ou ser oficializada. O que diferencia é que cada culto é diferente um do outro. Os “sem igreja” não obedecem a nenhum ritual pré-estabelecido. Cada um dos seus integrantes, tratados como irmãos, pode fazer a sua pregação. Não existe hierarquia.
A mulher de Almeida, Mara Aparecida, que também já pertenceu a uma igreja evangélica, diz que agora encontrou a sua verdadeira religião. “Somos ´caminheiros´ e no ´Caminho´ que seguimos temos quedas, encontramos atalhos, passamos por obstáculos, andamos em passos mais largos ou mais lentamente. O importante é ter os olhos fixos na nossa meta que é o céu, andando pela via da nossa salvação, ou seja, olhando fixamente para Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida, pois ele já fixou o olhar sobre nós por primeiro e nos amou com um amor sem limites”, cometa.
Aparecida acrescenta que nas grandes igrejas as pessoas não se conhecem. “Aqui a gente divide as alegrias e tristezas da vida. O Cristo é revelado na pessoa de cada irmão sofredor, oprimido abandonado”. É com este espírito que os “sem igreja” promovem festas de aniversário, distribuem alimentos e facilitam empregos para pessoas anônimas que vivem à margem da sociedade e da família.
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Respostas Às Objeções Contra A Liderança Nas Igrejas Nos Lares – Parte 1


Liderança Em Atos e Nas Cartas De Paulo – Parte 1

Muitas das objeções lançadas contra o estilo de liderança das igrejas nos lares existem por causa de traduções mal feitas do Novo Testamento, e por causa da tradição que perdura desde a Idade Média. A mentalidade institucional dos tradutores da Bíblia tem transmitido aos povos de língua portuguesa, neste tema liderança eclesiástica, a idéia de uma liderança oficial, hierárquica e posicional, que não se encontra no Novo Testamento original. Termos como Bispos, Pastores, Ministros, e Presbíteros, têm sido mal interpretados e mal traduzidos, gerando e perpetuando a mentalidade clerical.

Nesta seqüência de artigos, vamos analisar algumas passagens que têm sido mal interpretadas pelos que defendem a liderança hierárquica na igreja, e usadas para fazer oposição ao estilo do líder-servo, voluntário, das igrejas orgânicas (nos lares).

Atos 1.20 fala sobre ministério oficial?

“Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu ministério.” (Atos 1.20. ARA)

“Porque, prosseguiu Pedro, “está escrito no Livro de Salmos: ‘Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite’; e ainda: ‘Que outro ocupe o seu lugar’.” (Atos 1.20. NVI)

A palavra grega original que foi traduzida na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) como “ministério” e na NVI como “lugar” é episskopén, que significa propriamente “supervisão”, ou “função de supervisionar”. A tradução correta desse verso é:

“Pois está escrito no livro dos Salmos: ‘Que a morada dele fique deserta e não haja quem habite nela’ e ‘Que outro receba a função de supervisionar, que era dele’.” (Atos 1.20)

Portanto, sequer ocorre a palavra “ministério” em Atos 1.20. Este erro de tradução induz ao pensamento clerical de um ministério hierárquico. O episcopado (supervisão) é uma função para a qual alguns homens cristãos receberam o chamado de Deus para cuidar das igrejas de uma determinada região, para não permitir que doutrinas heréticas as invadam. Assim como os dons, as funções e tarefas exercidas na igreja não são cargos nem ofícios; são serviços prestados de coração visando à edificação do Corpo de Cristo.

Romanos 11.13 fala sobre ministério oficial?

“Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério,” (Rom. 11.13. ARA)

“Estou falando a vocês, gentios. Visto que sou apóstolo para os gentios, exalto o meu ministério,” (Rom. 11.13. NVI)

Mais uma vez um erro de tradução coopera para o errôneo entendimento do verso. A palavra grega original que foi traduzida na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) e na NVI como “ministério” é diakonían, que significa propriamente “serviço”. Assim, a tradução correta desse verso é:

“Mas digo a vocês, gentios; visto, então, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu serviço.” (Rom. 11.13)

Quem faz um serviço, serve, e quem serve é um servo, não uma autoridade, um oficial. Também neste verso a palavra “ministério” não aparece quando o lemos na língua original do Novo Testamento.

E 1 Timóteo 3.1 não trata de um ofício eclesiástico?

“Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja.” (1 Tim. 3.1. ARA)

“Esta afirmação é digna de confiança: Se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função.” (1 Tim. 3.1. NVI)

Neste verso a palavra original grega traduzida na ARA como “obra” e na NVI como “função” é ergou (pronuncia-se ergu) e significa “trabalho”, “obra” ou “tarefa”. A ARA traduziu mais literalmente. A NVI traduziu como “função” e não é uma má tradução, pois traduz o sentido da palavra. O importante é observar que as principais versões brasileiras trazem traduções corretas para este verso. O episcopado é uma tarefa, uma função, uma realização, e não um cargo. Tanto o original quanto as traduções transmitem isto. As pessoas que enxergam o episcopado como cargo, ao lerem este verso, o fazem por um vício de interpretação. Suas mentes estão contaminadas com o clericalismo reinante na igreja moderna e quando lêem este verso, enxergam o que ele não diz.

1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito são conhecidas como Cartas (ou epístolas) Pastorais. Isto não significa que Timóteo e Tito eram Pastores de igreja?

Não. As cartas de Paulo a Timóteo e a Tito ficaram conhecidas como Cartas Pastorais somente desde o Século XVIII para cá. Porém isto é um erro de classificação.

Timóteo e Tito não eram pastores de igrejas locais. Eles eram companheiros apostólicos de Paulo (trainees de apóstolo) e estavam sempre viajando de um lugar a outro. Eventualmente, assim como Paulo, eles passaram mais tempo em um lugar ou outro, para fortalecer uma igreja (como foi o caso de Tito em Creta e de Timóteo em Éfeso). Esses homens não eram ministros residentes. Eles eram parte do circulo apostólico de Paulo e estavam constantemente viajando (Rom. 16.21; 1 Cor. 16.10; 2 Cor. 8.23; 1 Tess. 1.1; 2.6; 3.2; 2 Tim. 2.15; 4.10). Chamar essas três cartas de “Epístolas Pastorais” reflete um vício moderno e não corresponde à verdade.