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As Práticas das Igrejas Orgânicas – A Música Nas Reuniões das Igrejas Neotestamentárias

Por Marcio S. da Rocha.
O povo de Deus é um povo cantor. Em toda a história da igreja, e mesmo antes de Jesus Cristo ter encarnado, quando o “Israel de Deus” estava quase que restrito à nação de Israel, vê-se que a música acompanha a vida deste povo de modo muito marcante. Davi, um músico, pastor, e profeta que se tornou um dos mais reverenciados Reis dos Judeus, valorizou extremamente a música e praticamente a instituiu como prática de adoração (1 Cr. 15.16). Inspirado pelo Espírito Santo, ele conclama que não somente os filhos de Deus, mas todos os povos da Terra executem música e entoem canções de louvor ao Senhor, pois ele é um Rei, e é próprio de um Rei receber louvores por meio de canções (Slm. 47.6-7; 66.1-20). Davi também afirma que o servo de Deus sente prazer em expressar louvores a ele por meio de músicas: “Como é bom render graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo” (Slm. 92.1). No início da igreja, vê-se que os discípulos também cantavam em adoração a Deus (Atos 16.25). Paulo – o apóstolo – exorta os irmãos a se deixarem encher do Espírito Santo por meio de canções de adoração:

“Deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Ef. 5.18-20).

A música parece fazer parte da vida daquele que é nascido de novo. Observando os cristãos, tem-se a impressão que a habitação do Espírito Santo naquele que crê torna esta pessoa mais sensível à música e a arte. Tenho conhecido pessoas que, antes de reconhecerem a Cristo como seu Salvador e Senhor eram bastante insensíveis à música, e depois disto se tornaram apreciadores da arte dos sons. Alguns se tornaram até musicistas.

A música como meio de adoração

É certo que a música provoca variadas sensações no corpo e no espírito humano, e não há nada de errado em apreciar música simplesmente pelo prazer de ouvir instrumentos bem tocados e/ou vozes privilegiadas e afinadas. A Psicologia estuda hoje os efeitos terapêuticos da música na mente humana, e já se tem como fato científico que certos tipos de música aumentam a criatividade e contribuem positivamente para a educação de crianças e adolescentes. Porém, o cristão utiliza a música principalmente como um meio de adoração ao Senhor. Um meio de expressão do seu amor a Deus, de sua gratidão pela salvação recebida em Cristo, e de declaração e exaltação da infinita grandeza do criador. É com este propósito que os musicistas verdadeiramente cristãos compõem canções espirituais, e que os que não são artistas entoam e executam essas composições.

É preciso por em relevo que adoração e louvor não são sinônimos de música. Tudo na vida do cristão deve ser feito para adorar a Deus. A música é apenas uma forma (das mais agradáveis, diga-se de passagem) de adorar.

O que cantar: a música e a teologia das canções

As canções e hinos entoados nas reuniões da igreja com a qual nos congregamos são principalmente aqueles compostos pelos bons compositores cristãos brasileiros, que deram uma grande contribuição para a formação de um repertório brasileiro de canções cristãs, ao longo das últimas décadas. Entre eles podemos citar Guilherme Kerr Neto, Sérgio Pimenta, Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, João Alexandre, Paulo César da Silva, Asaph Borba, Kléber Lucas e outros. Também cantamos alguns hinos evangélicos tradicionais.

Há autores que escrevem sobre a igreja orgânica e defendem que as canções que as igrejas orgânicas devem cantar precisam ser compostas pelos próprios membros de cada igreja. Sugerem que os membros das igrejas orgânicas criem paródias de canções clássicas (já livres de direitos autorais) com novas letras; ou seja, sugerem que os irmãos peguem canções clássicas e alterem suas letras, colocando nelas novas letras, de adoração. Pessoalmente considero isto de muito mau gosto, e sem nenhuma necessidade. Para que fazer isto, se já há tantas belas canções compostas por irmãos e irmãs? O fato da maioria desses compositores se congregar de forma institucional não pode impedir que os irmãos que se congregam em igrejas orgânicas cantem suas canções. Penso que o que deve ser feito é selecionar as canções desses autores, evitando aquelas que enfatizam elementos do Antigo Testamento, tais como “santuário”, “átrios”, “santo dos santos”, “sala do trono”, “general” etc. Outra razão para não se parodiar canções clássicas é que já há irmãos de igrejas orgânicas – que são musicistas – compondo novas canções, as quais podem integrar os livros de canções das diversas igrejas nos lares.

No tocante ao estilo musical, as igrejas orgânicas não devem criar restrições a nenhum estilo. Não se deve sacralizar certos estilos musicais e paganizar outros. Há canções que nos edificam muito, compostas em ritmo de samba, afoxé, rock, xote e xaxado. Afinal de contas, todos os estilos musicais foram criados por homens, cujo talento foi dado por Deus. Mesmo os incrédulos receberam de Deus, pela graça comum, os dons e talentos que possuem. Assim, na origem, a arte e a criatividade são divinas. Musicalmente falando, cada igreja vai naturalmente selecionar o seu próprio repertório de canções, em função dos gostos musicais dos irmãos e afinidades com melodias e autores, à medida em que o tempo passa.

Entretanto, a teologia que está expressa nas letras das canções é muito importante. Portanto, os irmãos devem evitar certas canções que estão sendo veiculadas atualmente na mídia “gospel” (rádios e televisões), e que trazem letras que pregam a teologia da prosperidade[1], e, como já se disse, aquelas que foram inspiradas no Antigo Testamento, e exaltam elementos do “velho odre”. As canções que as igrejas neotestamentárias cantam devem ser Cristocêntricas. Ele é o motivo do louvor, o objeto da adoração, e o agente da edificação da igreja. E as canções devem apontar para ele, assim como fazem as Escrituras Sagradas.

A ministração do louvor nas igrejas neotestamentárias

As igrejas orgânicas têm por princípio e prática o sacerdócio de todos os crentes, ou seja, nelas não há sacerdotes nem ministros exclusivos. Decorrente disto, a ministração das canções não compete a nenhum ministro de louvor, ou equipe de músicos. O louvor é da igreja toda, e os musicistas e instrumentistas são servos da igreja e do Senhor. Nas reuniões das igrejas neotestamentárias o louvor é espontâneo, e as canções que são cantadas a cada reunião não são pré-selecionadas por um grupo especial de “ministros”. Os musicistas estão na igreja para servirem com seus instrumentos, não para conduzirem ou “facilitarem” o louvor do povo de Deus. Os cânticos devem ser sugeridos e ministrados livremente por qualquer irmão ou irmã, inclusive jovens, adolescentes e crianças.

Somente nas reuniões que envolvem diversas igrejas orgânicas (grandes celebrações), se houver necessidade de sonorização artificial, cabe às comunidades formar uma banda para servir ao grupo maior, de forma pré-organizada. Mesmo assim, há como permitir certa espontaneidade na escolha de algumas canções e até na participação de irmãos e irmãs durante a ministração.

É importante ressaltar que não temos nada contra os irmãos irem assistir apresentações de musicistas cristãos, em eventos especiais. Nesses eventos, alguns irmãos apresentam suas canções de forma mais profissionalizada, e, além de serem eventos prazerosos (a depender da qualidade dos artistas), neles também acontece edificação dos que assistem.

A organização/preparação do livro de canções da igreja

Para que haja participação e espontaneidade com relação à música nas igrejas orgânicas, cada comunidade nos lares deve organizar o seu próprio livro (caderno) de canções. Alguns irmãos, principalmente os que forem musicistas (se houver na igreja), devem se dedicar a elaborar um documento com as letras das canções que serão entoadas pelos irmãos. Todos os irmãos podem (e devem) sugerir canções para serem incluídas. Quando a seleção das canções do caderno ou livro de canções for considerada concluída por este grupo de irmãos responsáveis, é aconselhável que os presbíteros da igreja façam a revisão final do documento, para analisar se há problemas teológicos nas letras de algumas canções sugeridas. Isto faz parte da função de presbítero/pastor – cuidar dos irmãos e zelar pela sua saúde espiritual.

Preparar o livro/caderno de canções é um trabalho que exige tempo e dedicação, porém, vale a pena – e como vale! O caderno/livro de canções possibilita e estimula a participação de todos na ministração da música nas reuniões da igreja. Sem ele, predominarão os musicistas, e a música não estará nas mãos de todo o corpo. Por outro lado, quando os irmãos e irmãs dispõem de um livro de canções à mão, eles terminam por sugerir certas canções, e muitas vezes comentam sobre o tema das letras. Em nossa experiência, muitas vezes o tema da reflexão bíblica do dia surgiu por causa da letra de uma canção que foi cantada e/ou comentada naquela reunião. Então, o livro/caderno de canções é essencial numa igreja orgânica.

O livro/caderno de canções deve ser impresso, e disponibilizado a todos da igreja. Pode ser editado e impresso em formato A4, ou A5, e deve ser encadernado, de preferência com espiral ou pasta tipo colecionador, para que não se torne rígido e engessado, e para que permita revisões futuras – retirada de algumas canções que a igreja não canta e inclusão de novas canções.

Com ou sem instrumentos musicais

Sabe-se que nem toda igreja nos lares conta com irmãos ou irmãs que tocam instrumentos harmônicos, para acompanhar as canções da igreja. Seria muito bom se toda igreja pudesse contar com pelo menos um instrumentista. Porém, a falta de musicistas numa igreja não pode e nem deve ser um empecilho à adoração com música. Há alternativas.

Estamos na era da chamada “revolução da informação” e há gravações disponíveis de muitas canções em CDs e até em lojas online (na internet). As igrejas que não contam com instrumentistas, podem adquirir Cds e músicas digitais e organizá-las num pen-drive ou CD/DVD, de modo que possam ser reproduzidas com um aparelho de som ou computador com som, na casa onde houver as reuniões. Isto demandará que um irmão ou irmã prepare esta mídia previamente, e na hora a opere, de modo que encontre facilmente as canções sugeridas/solicitadas pelos irmãos. O aparelho deve reproduzir as músicas com qualidade e volume adequado, para que todos ouçam confortavelmente. Se for usado um notebook ou tablet para reproduzir as músicas, este equipamento deve estar conectado a um sistema que amplifique o som. Certa vez uma irmã solicitou que cantássemos uma música que ela gostava e que tinha gravada em seu notebook, porém o som do computador era tão baixo que os irmãos não ouviram a música direito.

Alternativamente, a igreja também pode cantar “à capela”, ou seja, sem acompanhamento de instrumentos ou equipamento de som. É claro que os instrumentos embelezam a música, mas a motivação principal do cristão é adorar ao Senhor e edificar-se por meio das canções; assim, nem mesmo a falta de instrumentos ou de aparelhos de som devem impedir que a igreja adore ao Senhor com música.

“SENHOR, quero dar-te graças de todo o coração
e falar de todas as tuas maravilhas.
Em ti quero alegrar-me e exultar,
e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo.” (Slm. 9.1-2)
Paz do Senhor para todos os irmãos em Cristo.


[1]A teologia da prosperidade prega que Deus é uma espécie de gênio da lâmpada, que existe para atender aos pedidos de seus fiéis. Também passa a ideia de Deus como um negociador, um comerciante que faz trocas com os seres humanos e que multiplica as finanças de quem dá dízimos e ofertas.

As Práticas das Igrejas Orgânicas – As Reuniões das Igrejas Neotestamentárias

Por Marcio S. da Rocha

Dando sequencia á serie “As Práticas das Igrejas Orgânicas”, desta vez vamos falar sobre como as igrejas neotestamentárias/orgânicas se reúnem, e o que fazem durante as suas reuniões. Mais uma vez lembramos e enfatizamos que esta série de artigos objetiva contribuir com irmãos e irmãs que, neste querido Brasil, têm sido chamados a viver igreja organicamente, porém ainda não sabem como. Não intencionamos sistematizar uma ortopraxia nem qualquer tipo de liturgia para as igrejas nos lares, mas, apresentar sugestões de práticas que se harmonizam com a doutrina da igreja neotestamentária, principalmente a partir da nossa própria experiência nos últimos cinco anos. Afinal de contas, doutrina sem prática é hipocrisia. As nossas práticas devem expressar a nossa fé e os nossos princípios, do contrário estaremos fazendo algo apenas ritualístico ou “religioso”, dissociado da vida.

Reuniões, e não cultos

Também é preciso lembrar que a igreja neotestamentária não faz cultos; ela se reúne. Cultos (serviços religiosos) são práticas das igrejas institucionalizadas. As reuniões se diferenciam de cultos porque, quando alguém vai à uma reunião, vai para participar – para contribuir, e não apenas para assistir, no sentido de ver e/ou ouvir. Vai para servir, não apenas para ser servido. Vai também para edificar, não apenas para ser edificado. Participa como igual – como um irmão entre irmãos – e não como um cristão “leigo” para ouvir os cristãos “clérigos” ou “profissionais”. Todos somos leigos (o laos de Deus); e, ao mesmo tempo, todos somos clérigos (o kleros de Deus)[1]. Nós somos membros de um corpo, e nenhum membro de um corpo é passivo; cada um age (é ativo), de acordo com sua função e chamado.

Tipos de reuniões

As igrejas orgânicas, assim como a igreja do primeiro século, não possui apenas um tipo de reunião. Ela se reúne mais de uma vez por semana, para objetivos diferentes (embora o propósito seja o mesmo: a edificação do Corpo de Cristo na terra).

Cada comunidade orgânica possui uma reunião semanal principal (realizada normalmente em um lar), referenciada nos livros sobre igreja orgânica como reunião eclesial. Esta é uma reunião semanal de maior duração, onde os irmãos (1) cantam juntos, (2) oram juntos, (3) compartilham juntos a sua fé e experiências com Cristo, e (4) comem juntos. Não há liturgia fixa para essas atividades; elas ocorrem nas reuniões eclesiais de maneira livre e participativa, com muita sensibilidade ao Espírito Santo, e de acordo com as necessidades dos irmãos. Isto significa que, há reuniões eclesiais em que a ênfase é o cântico comunitário; noutras a ênfase é o compartilhar; há algumas em que predomina a oração. Normalmente há a refeição coletiva – a Ceia do Senhor. Mas há reuniões em que uma ou mais dessas quatro atividades não é praticada, mesmo a Ceia do Senhor. Essas reuniões eclesiais duram cerca de três ou quatro horas; portanto, é importante realizá-las num dia da semana que não seja dia de trabalho (sábado ou domingo).

A igreja pode também, por decisão dos membros, ter outras reuniões semanais. Uma delas pode ser a reunião para estudo bíblico, onde os presbíteros (irmãos mais vividos na fé) que possuem dons de mestre e de conhecimento ministram aos demais a Palavra do Senhor.

Embora a igreja normalmente ore nas reuniões eclesiais, ela pode se reunir especificamente para uma reunião de oração. Nela, a igreja se encontra somente para orar, principalmente pelas necessidades dos irmãos e de pessoas conhecidas, e para ações de graças.

A igreja se reúne também para a comunhão e o lazer. Essas reuniões são tão importantes quanto as eclesiais. Um dos princípios que os irmãos orgânicos vivenciam é o da “não religiosidade”, ou seja, não há separação entre vida e adoração ao Senhor. O lazer também é (deve ser) santo. Portanto, a igreja pode e deve se reunir especialmente para o lazer e para integração social. Nessas reuniões, os laços de amizade e o senso de comunidade da igreja são fortalecidos.

E a igreja local pode realizar reuniões de serviço (ou ministério), onde os irmãos se reúnem para servir aos necessitados – uma forma de adorar e realizar boas obras, para as quais os crentes foram salvos (Ef. 2.10).
As igrejas podem precisar se reunir para organização e planejamento. As igrejas orgânicas são organizadas; o que elas não são é institucionalizadas.

Quando já existirem várias igrejas orgânicas no bairro ou na cidade, as igrejas devem procurar participar eventualmente de grandes reuniões em lugares maiores (escolas, praças públicas, sítios ou chácaras, auditórios, teatros etc.). São celebrações conjuntas com outras igrejas orgânicas, para integração com a igreja do bairro, da região ou mesmo da cidade. Nas grandes reuniões, as igrejas unem seus musicistas e formam uma banda única para servir toda a igreja no canto, e também organiza a participação dos irmãos que irão falar, para que haja ordem e decência. Essas reuniões não permitem alcançar o mesmo nível de participação que ocorre nos lares; portanto, não é bom que sejam feitas todo mês. Recomendamos que sejam feitas uma a cada dois meses ou mais.

A quantidade e a duração das diferentes reuniões dependem de cada comunidade local. Um dos princípios da igreja neotestamentária é que as decisões são conciliares, coletivas – por consenso. Portanto, cada igreja decide que tipo de reuniões fará, e com que frequência. É recomendável que não falte nenhum dos sete tipos de reuniões. A comunidade pode também decidir unir dois tipos de reuniões numa só (por exemplo, estudo bíblico e oração). Na igreja onde nos reunimos, as reuniões de comunhão e lazer, as de serviço e as de organização, não ocorrem toda semana.

Infraestrutura e logística das reuniões

A comunidade deve decidir em consenso, os aspectos práticos das reuniões. Deve planejar as reuniões para que tudo dê certo.

O lar onde as reuniões eclesiais ocorrerão deve ser planejado e preparado. Quando a igreja decide se reunir somente em um lar (de uma das famílias da igreja), ela deve escolher um que possua bom acesso, estacionamentos à disposição (e com relativa segurança), e se estruturar para que a família que recebe a igreja não tenha um fardo muito pesado. Neste caso, os irmãos e irmãs devem se organizar em equipes para fazer a limpeza da casa (ou apartamento) dos anfitriões, depois das reuniões. Devem também compartilhar as despesas com a família anfitriã. Fazer essas coisas é uma contextualização do “lavar os pés” uns dos outros.

No caso da igreja revezar os lares – se reunir em diversos lares das famílias da comunidade de modo revezado – ela deve decidir a periodicidade do revezamento (se as reuniões ocorrerão em cada lar a cada mês, bimestre, trimestre, semestre etc.) e organizar a sequencia (o primeiro, o segundo, o terceiro lar etc.) do ciclo.

A família anfitriã (única ou em revezamento) deve garantir a limpeza prévia do local da reunião, principalmente do(s) banheiros(s). Por incrível que pareça, muitas pessoas que visitaram reuniões de igrejas não retornaram devido à falta de higiene dos banheiros.

Para as grandes reuniões, os líderes das diversas pequenas comunidades nos lares devem se reunir para planejar os locais, a periodicidade, a música (som, banda etc.), e os programas de cada evento.

Para as refeições comunitárias nos lares – a ceia do Senhor, cada família ou solteiro(a) membro deve contribuir trazendo sua refeição para compartilhar – com exceção dos irmãos financeiramente carentes (desempregados ou reconhecidamente pobres). Neste aspecto também não pode haver distinção entre os que servem e os que são servidos.

A comunicação deve ser um aspecto importante. Todos os membros devem estar sabendo com antecedência sobre os horários e locais das reuniões. Hoje em dia, isto pode ser muito facilitado devido à internet. Os irmãos podem se comunicar por e-mail ou redes sociais gratuitamente, e de modo bastante eficiente. É bom também anunciar, ao fim de cada reunião, o local, os horários e os preparativos das próximas reuniões.

A pontualidade é fundamental nas reuniões das igrejas orgânicas. Como as reuniões são participativas e ocorrem em pequenos ambientes, os que chegam atrasados atrapalham os demais, pois quando chegam, os outros irmãos já estão em oração ou em adoração, e os atrasados interrompem estes belos momentos com suas chegadas. Numa igreja institucionalizada, as cadeiras ou bancos são dispostos em forma de auditório, fazendo as atenções do “público” se voltarem para o pregador ou para o grupo musical, e os que chegam atrasados podem sentar-se mais atrás silenciosamente sem serem percebidos pelos que chegaram antes. Porém num lar, as cadeiras/poltronas e sofás são dispostos de forma circular, quadrada ou retangular. Todos se veem uns aos outros; portanto, os atrasados não chegam imperceptivelmente.

O brasileiro costuma ter problemas com pontualidade. Então, é preciso um trabalho sério de conscientização dos irmãos. Uma das sugestões para minimizar o problema da pontualidade nos lares é realizar um “cafezinho” meia hora antes das reuniões – uma mesa com  torradas, pães, biscoitos e o delicioso café brasileiro – para atrair os irmãos a chegarem antes da primeira atividade das reuniões eclesiais. Além do atrativo do cafezinho, o brasileiro “ama” cumprimentar os irmãos e botar os assuntos em dia antes de começar as reuniões. Antes de começar os cânticos ou orações, a mesa do cafezinho é retirada e os que chegarem atrasados o perdem. Temos praticado isto e os resultados são muito bons.

Nos próximos artigos, abordaremos com maiores detalhes, algumas das atividades realizadas em cada tipo de reunião – a música, o estudo bíblico, o lazer, as refeições, a oração e o serviço.

Paz do Senhor para todos os irmãos em Cristo.


[1] A palavra leigo vem da palavra Grega laos, que significa povo. E a palavra clérigo vem da palavra Grega kleros, que significa escolhidos ou eleitos.